Dinheiro e Trabalho

Dinheiro é o que Mais Importa na Escolha Profissional?

Muitas pessoas, para não dizer a maioria, não tem dúvidas sobre a resposta desta pergunta e cravam a mesma resposta: O dinheiro é o mais importante!

Muitas vezes, esse pensamento norteia, não só a escolha do sujeito, como também de todas as pessoas a sua volta.

Mas a pergunta que não quer calar é: Essas pessoas têm razão?

Antes de tudo, acho importante falar que qualquer profissão pode render muito dinheiro. Logicamente, a questão é muito mais complexa e envolve muitos fatores como, por exemplo, empreendedorismo, planejamento de carreira, foco e  resistência à frustração, mas conheço muitas pessoas que trabalham em diversas áreas e que têm situações econômicas bastante diferentes.

Isso não tem necessariamente relação entre tradição/fama do curso escolhido e rendimento econômico médio do mesmo.

Para exemplificar essa questão, citarei dois casos de conhecidos meus:

Primeiro Caso

Esta pessoa, ao terminar o ensino médio, após pressão do pai, que já tinha um pequeno escritório de advocacia, começou, aos dezenove anos, a cursar a faculdade na mesma área do pai.

Entretanto, com o passar do tempo e do curso, descobriu que Direito não era muito a sua praia.Mas sua situação naquele momento era bastante cômoda: com vinte e um anos já trabalhava na área, num negócio que futuramente seria seu, tinha dinheiro pra sair e pagar todos os luxos que uma pessoa de classe média pode utilizar.

Sem contar no status que esta carreira concede a seus praticantes, já que em qualquer lugar que falasse que trabalhava neste ramo, passava a ser bem visto.

Neste contexto, ele foi ficando. No entanto, entre amigos (eu me incluo neste grupo), era e ainda é opinião comum que ele é uma pessoa com grande criatividade, que gosta de fatos históricos, meio-ambiente e não suporta rotina e burocracia.

Só com esta pequena descrição podemos perceber que o Direito e sua  tradição não têm muito a ver com os seu perfil.

Atualmente, está trabalhando com vendas para se sustentar e seu futuro no Direito acontecerá, no máximo, com uma pós em Direito Ambiental.

Cabe ressaltar que o pai citado acima exercia outra profissão, sem grande sucesso, antes de cursar a faculdade de Direito e decidiu fazer este curso por ser um antigo sonho, além de já possuir alguma estabilidade financeira.

Nos dias de hoje, este mesmo pai, com aproximadamente seis anos de formado, conseguiu fechar contratos de quase um milhão de reais

Segundo Caso

Desde pequena tentava entender as pessoas e depois de maiorzinha queria saber mais sobre as relações sociais e seus problemas.

Daí, ao terminar o segundo grau, decidiu cursar Serviço Social, que, definitivamente não é reconhecido como um curso que proporcione retorno financeiro e/ou status. Entretanto, esta pessoa sempre foi reconhecidamente estudiosa e buscava sempre terminar as coisas que começava. (Só a título de informação, pois falarei deste assunto mais especificamente em outro artigo, acredito que esta qualidade é essencial para o sucesso).

Atualmente, aos 26 anos e formada há quatro anos, ocupa dois empregos (não os citarei para preservar sua identidade), com renda conjunta de aproximadamente dez mil reais.

Nestes dois casos distintos, a maior e mais importante questão é o que motiva cada um na escolha. Como podemos perceber, o primeiro caso se refere a uma pessoa influenciada por fatores externos (desejo do pai, status, possibilidade de renda da profissão e etc), que na psicologia pode ser chamada de motivação extrínseca.

Já pai do rapaz do primeiro caso e o segundo, o interesse deles tem como base principal seus desejos internos e afinidades. Este fluxo se chama motivação intrínseca.

Na Psicologia é consenso, que, ao longo de um tempo, a motivação intrínseca, que se caracteriza por impulsos internos, tende a durar mais, possibilitando a pessoa superar com mais facilidade os obstáculos da vida.

Entretanto, as pessoas que seguem influenciadas pela outra motivação, com fatores externos, independentes de suas crenças e emoções, tendem a desistir  com mais facilidade. Isto acontece porque tendemos a fazer melhor e com mais perseverança o que realmente acreditamos e, de alguma maneira, nos envolvemos emocionalmente.

O trabalho ocupa entre 60% e 80% do tempo de uma pessoa, constituindo a identidade do sujeito.

Logicamente, existem carreiras que possuem um “piso” mais interessante que outras. Como exemplo cito a Medicina. Raramente vemos um desempregado e não é tão incomum vê-los numa  vida bem confortável. Ao contrário da minha carreira, onde passamos os cinco anos ouvindo que morreremos de fome.

No entanto, psicólogos com sete, oito anos de carreira, conseguem cobrar R$ 250 por consulta de 50 minutos e possuem seis pacientes por dia! Sendo que sei de profissionais que ganham R$ 500 por consulta e possuem ainda mais clientes. É só fazer a conta que veremos a possibilidade de um psicólogo ganhar mais que um Médico.

Em suma, deixando de lado o quesito remuneração ou qualquer outro fator externo, de um modo geral, a pessoa que esteja em dúvida deve procurar conhecer melhor o mercado de trabalho, as características de cada profissão, fazendo comparações e considerações em relação as suas afinidades.

Não considere o piso de cada profissão, mas as suas possibilidades. Se possível, procure um serviço de orientação profissional. Mas não se esqueça do mais importante: siga o seu coração, pois, como dizia Einstein: “sucesso é consequência”.

Pense nisso,

Até a próxima!

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