Escolha Profissional

Fatores que Influenciam na Escolha Profissional

No mundo de hoje, independente de como o jovem busca escolher sua carreira, que pode ser de maneira ajustada ou desajustada, o ponto é que existem alguns fatores que interferem diretamente nesta escolha. Você sabe quais são?

Antes de entrarmos nos fatores propriamente ditos, falarei sobre o sentimento de dúvida. Trata-se de uma emoção inerente ao ser humano e que na primeira infância é quase inexistente.

Em nosso processo evolutivo aprendemos a suportar a existência da dúvida, mas que nem sempre é da maneira mais adequada. Quando se deparam com ela, os jovens podem apresentar tendência à impulsividade, sentimentos de pânico e depressão ou formas irresponsáveis na tomada de decisão, como relegar a escolha à sorte, ou aos outros, ou mesmo não escolhendo, mas ficando com duas.

De um modo geral, a dúvida na escolha da carreira pode passar por alguns exemplos bem comuns:

Duas possibilidades, por muitas ou por uma indecisão completa. Em raras situações os jovens verbalizam que não possuem dúvidas. Sendo que, mesmo nestes casos, esta certeza pode ter enrustida em si mesma uma carga forte de ambivalência.

O que vai diferenciar uma escolha ajustada de uma desequilibrada, dentre outros fatores, será a capacidade do jovem conhecer a si mesmo, o mundo à sua volta, correlacionar estes dois pontos de vista e entender que todo caminho tem seus atrativos, mas que a escolha propriamente dita exige a escolha de uma  direção, em detrimento de outras.

Nada impede deste se arrepender e mudar a direção, mas o processo de escolha é inevitável. No entanto, para isto acontecer é de suma importância que o jovem entenda o papel de cada um a sua volta e consiga compreender os fatores que podem influenciar na sua escolha. Afinal, um problema só consegue ser resolvido, se for detectado.

Provavelmente, o principal obstáculo para a escolha bem sucedida é o MEDO, que, de acordo com autores, pode ser interpretado como uma reação obtida a partir do contato com algum estímulo físico ou mental (interpretação, imaginação, crença) que gera uma resposta de alerta no organismo. Esta reação inicial dispara uma resposta fisiológica no organismo que libera hormônios do estresse (adrenalina, cortisol) preparando o indivíduo para lutar ou fugir.

Mais especificamente, em relação ao processo de escolha, seguem alguns exemplos:

  • Medo de escolher errado;
  • Ter que mudar de carreira;
  • Crença de quem muda não é bem sucedido;
  • É difícil mudar;
  • É para toda a vida;

Estes são alguns exemplos de como o medo pode ser expressado nesta situação. No entanto, como falei no parágrafo anterior, este sentimento está ligado à interpretação, imaginação ou crença. Em outras palavras, não tem a ver com o estímulo externo real, mas como a pessoa lida com a situação.

Outro fator primário de interferência na escolha tem a ver com a posição socioeconômica da família. Estudos apontam tendência de, nas famílias mais favorecidas, a preocupação com a realização pessoal ser maior e mais frequente. Já nas classes menos favorecidas, o fator financeiro torna-se um tema central.

No entanto, o ser humano é um ser de motivações e a falta de engajamento em tarefas de desenvolvimento costuma trazer consigo sentimentos relacionados direta ou indiretamente à angústia. A pessoa acaba desenvolvendo sinais mais vigorosos de frustração. A vida acaba não fazendo tanto sentido.

Além destes pontos, existe a significação feita pelo jovem sobre o mercado de trabalho. Muitas vezes, a formação do conceito sobre alguma carreira é desenvolvido de maneira idealizada, contendo pouca ou nenhuma informação concreta.

Muitos na minha geração escolheram o Direito e hoje se encontram arrependidos pelo caminho seguido. Nada contra esta carreira linda, mas, ao menos na minha adolescência, o status da carreira era muito alto. Toda mãe sentia muito orgulho de dizer que seu filho fazia faculdade de Direito, mas pouquíssimos tinham procurado um advogado para ouvir um pouco sua rotina e suas dores.

Neste contexto, a falta de informações concretas a respeito do que deseja, por si só, já pode gerar um grande desajuste na escolha profissional, que pode durar muito tempo.

Em cima destes fatores já citados seguem outros que se relacionam aos já mencionados: Influência dos pais e amigos e Vestibular.

No primeiro caso, já de início, tem a projeção dos seus sonhos e objetivos que, muitas vezes, nunca alcançou no seu filho e em sua escolha profissional. Afinal, quem nunca disse ou ouviu um pai dizer: “Farei de tudo para que meu filho tenha tudo na vida”. O fato dos pais desejarem tudo de bom para seus filhos não é nenhum problema, mas quando os valores e objetivos são determinados por estes, o problema começa a aparecer.

Ou você acha saudável um pai obrigar seu filho a ser médico só porque ele ou toda a família são médicos, sem ao menos entender os anseios do jovem?

Em relação ao último ponto, em nosso país, associa-se a escolha profissional à entrada na universidade, que passa pelo Vestibular.

Alguns estudiosos encontraram relação entre passar no vestibular e os ritos de passagem. Enquanto o jovem não passar no vestibular ainda não possuirá um local “seguro” na sociedade, não constituindo sua identidade.

O “passar de primeira” tem a ver com o sentimento de potência e a não aprovação tende a gerar vergonha. Por este motivo, o da possibilidade de aprovação, muitos jovens embasam suas escolhas e se tornam profissionais frustrados.

Por pensarem, por exemplo, que a concorrência de um curso é muito alta, procuram outro, mas que não tem tanto a ver com a sua predileção ou perfil.

Em suma, o processo de escolha profissional é algo bastante complexo e como podemos notar, envolve diversos fatores.

A escolha ajustada acontece quando a pessoa consegue correlacionar seus gostos com oportunidades exteriores, encaixando interesses, conhecimentos e aptidões, com a realidade e carreiras que lhe são apresentadas. Então, se você que me lê agora é um jovem, busque esta resposta dentro de você sem que fatores externos influenciem negativamente nesta escolha.

Se quem me acompanha é um pai, ajude o seu filho no enfrentamento destas variáveis externas, como a questão financeira, abasteça-o com informações das carreiras e dê o suporte emocional necessário para enfrentar as questões internas: Medo de fracassar, de escolher errado, o fantasma do vestibular ou qualquer outro que venha a sentir.

Afinal, você o ama, não é mesmo?

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