Orientação Profissional em Colégios Públicos e Privados

Atualmente vivemos em um mundo onde a especialização é o que tem determinado o valor de um profissional. Sendo que, com a tecnologia tornando a comunicação e o acesso às informações cada vez mais imediatas, as variáveis que interferem na escolha da carreira pelo jovem tem se proliferado e tornado esse processo de escolha profissional mais difícil.

Por esses motivos, o serviço de orientação tem se tornado cada vez mais importante. No entanto, por sermos um país de desigualdades, será que podemos considerar os mesmos pontos nos colégios públicos e privados?

Será que realmente existe diferença?

Normalmente, quando entro em um assunto tão “cabeludo” quanto esse, costumo explicar os pontos de vista primeiro para depois emitir uma opinião, mas, aqui, farei diferente.

Nesse caso, especificamente te digo que as diferenças são abissais e não tem como conceber o mesmo processo para os dois casos.

Primeiramente, temos que considerar o papel das escolas nessas comunidades. O colégio particular, pela necessidade de vender o seu produto, que se valoriza pela quantidade de aprovação do vestibular, tem deixado em segundo plano o desenvolvimento de valores para a formação de indivíduos saudáveis e com o espírito colaborativo, tão importante para o convívio em sociedade.

A competitividade, cada vez mais, vem sendo fomentada, com rankings, turmas especiais, além de outras técnicas segregadoras. Inclusive, não é incomum a presença de bullying sofrida pelos alunos com menor desempenho.

A preocupação com o baixo rendimento não costuma ser algo de grande importância. Pelo contrário, muitas vezes, o aluno que não vai tão bem tende a ser visto como um peso para a instituição, pois acaba derrubando o resultado da escola, tornando-a menos competitiva.

Ainda nessa esfera, como muitos pais também são fruto da cultura competitiva vigente em nossa sociedade, onde o ter, cada vez mais vem tendo mais importância do que o ser, esses, em alguns casos, não tem respeitado as vontades e decisões de seus filhos, gerando, assim, mais angústia.

Já na escola pública, a preocupação maior tende a ser com o ser humano e a mediação no processo de busca de equilíbrio entre o sujeito, que está buscando sua identidade e o ambiente a sua volta, que costuma ser instável. Como se trata de um serviço público básico e não tão valorizado pelo Governo, tal serviço se dirige principalmente às pessoas com menos poder aquisitivo e muitas de suas unidades e/ou seus alunos se encontram em áreas de risco.

Neste contexto, a orientação profissional em escolas da rede pública, ainda possui como desafio o convívio diário com precariedades das condições de trabalho.

Além disso, existe ainda a obrigação de cumprimento das metas exigidas pelo governo que, muitas vezes, são alcançadas não por soluções, tendo como objetivo principal, o aluno, mas sim, pela maquiagem dos números, já que as premiações só levam em consideração a frieza dos números.

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